Excelente artigo, disponível em http://www.aprendebrasil.com.br/articulistas/betina_bd.asp?codtexto=672
Não é o computador que sabe o caminho
Todos sabemos que nenhum recurso tecnológico tem o poder mágico de aprimorar o desempenho de um aluno se ele e o professor não souberem o que estão buscando ao utilizá-lo. Diferentes estudos revelam que ter objetivos claros ao adotar tecnologia educacional é o elemento mais importante para obter resultados favoráveis junto aos alunos (Schacter, J., 1999 e Cradler et alii, 2002).
Observemos, então, alguns objetivos que podemos tentar alcançar com maior facilidade por meio de recursos tecnológicos, afinal, eles são inúmeros e muito diversos. Professores e alunos podem querer desenvolver senso de responsabilidade e estratégias para realizar trabalho coletivo. Podem buscar oportunidades de desenvolver a fluência oral ou escrita e a busca por informações confiáveis. Podem desejar conhecer as leis da ciência, manusear equipamentos ou, simplesmente, praticar a realização de avaliações. Podem querer interagir com pessoas de fora da escola pelos mais variados motivos, desenvolver a autonomia perante os estudos, memorizar alguns fatos, desenvolver a curiosidade ou o raciocínio lógico. Esses são só alguns dos objetivos que podemos tentar alcançar a partir de uma ação educativa mediada pela tecnologia.
A seguir, apresentaremos os principais tipos de ferramentas tecnológicas que podem ser utilizadas nas escolas para diferentes fins. Vale a pena refletir sobre os diferentes objetivos que elas permitem atingir antes de adotá-las.
A — Autoria
As ferramentas de autoria são das mais ricas que a tecnologia educacional pode oferecer. Elas permitem criar sites, blogs, livros, jornais, revistas, linhas do tempo, animações, vídeos, apresentações multimídia, etc. Desenvolvem nos alunos as habilidades de pesquisa, leitura, escrita, manipulação de diferentes tecnologias e até programação, dependendo do recurso escolhido. Além disso, quando usadas em grupos, favorecem a realização de trabalhos coletivos e o desenvolvimento do senso de responsabilidade.
Um professor alerta para os variados objetivos que pretende alcançar junto com seus alunos descobrirá inúmeras maneiras diferentes de encaminhar o trabalho com as ferramentas e observará com precisão o desenvolvimento dos alunos. Ele poderá interferir nas questões de administração do trabalho coletivo sem achar que está "perdendo tempo" de aula, ou ficará feliz ao ver seus alunos buscarem materiais nas mais variadas fontes para realizar seus projetos.
A vantagem que o computador oferece para o trabalho coletivo é a facilidade de edição que seus programas oferecem. Todos os membros de um grupo podem contribuir com suas idéias em diferentes arquivos. Esses arquivos podem ser reunidos, cortados, corrigidos e ampliados com muito conforto. É fácil incluir imagens, tabelas e gráficos feitos por diferentes membros do grupo, e não é necessário passar nada a limpo1.
B — Pesquisa
Trabalhos que envolvem criação, como os descritos acima, são certamente muito interessantes. No entanto, nem sempre é viável trabalhar com criação de trabalhos grandes e coletivos na escola. Por vezes, o professor e os alunos desejam simplesmente buscar uma informação ou conhecer um determinado assunto em mais detalhes. Tendo em mente o que se pretende buscar, não há nada melhor que utilizar ferramentas de pesquisa.
Nesse caso, também vale a pena decidir se é o momento de utilizar uma ferramenta completamente livre e aberta, se os alunos deverão usar um portal ou se deverão se ater às indicações do professor ou de outro especialista que já fez um levantamento prévio de bons materiais sobre os temas a serem estudados.
Se o objetivo for ensinar a separar conteúdo de qualidade de conteúdo duvidoso, é mais recomendável usar a Internet livre. Se o objetivo for encontrar rapidamente material de qualidade, acessar um portal ou recomendações de um profissional experiente é uma estratégia mais adequada.
C — Comunicação
Com a comunicação via Internet, aprende-se a qualquer momento e em qualquer lugar. Ferramentas como e-mail, fórum, comunicador e bate-papo também podem ser usadas com diferentes finalidades. Além delas, algumas ferramentas de autoria, como o blog e o site, são, simultaneamente, ferramentas de comunicação, pois podem ser publicadas com muita facilidade.
O blog ou o site desenvolvido por um professor facilita a comunicação entre professores, alunos e suas famílias. Já os alunos que criam sites e blogs beneficiam-se da motivação de poder realizar um trabalho autêntico que poderá ser lido por outras pessoas, além de seus colegas e professores.
Uma sala de bate-papo pode ser usada para realizar uma conversa com uma pessoa distante ou para os alunos praticarem fluência oral em língua estrangeira. O e-mail pode facilitar o envio de dados entre diferentes membros de um grupo ou pode ser usado para a escola se comunicar com as famílias. O importante é sempre ter em mente que a comunicação on-line multiplica em muito as possibilidades de trocas de informações das mais variadas. Aumentando essas trocas, amplia-se a aprendizagem.
D — Exercícios e prática
Não podemos esquecer que uma parte relevante do que se aprende na escola também envolve prática, exercícios e repetição. O desenvolvimento de criatividade e capacidade de pesquisa é essencial para a vida escolar de qualquer estudante, mas, às vezes, é importante observar um assunto mais de perto, fazer exercícios, tentar de novo ou repetir até memorizar algo ou compreender um conceito detalhadamente. Também existem ferramentas para esse fim. São exercícios de correção automática simples ou com animações, avaliações e atividades disponibilizadas pelo professor, atividades interativas disponíveis em sites, simuladores e jogos.
Esses recursos permitem ao aluno visualizar um conceito e praticar exercícios. A vantagem da tecnologia nesse aspecto é quantitativa e qualitativa. Ela permite disponibilizar muitas atividades para os alunos, sem a necessidade de tirar cópias de materiais ou mesmo de corrigir as atividades uma a uma. Além disso, dependendo do assunto, as atividades interativas realizadas no computador podem ser muito mais coloridas, animadas e motivadoras do que a leitura de informações nos livros. Vale a pena adotar esses recursos levando em conta que eles tornam a atividade de reforço mais freqüente e divertida e facilitam a compreensão de alguns fenômenos.
Considerações sobre o papel do aluno
Com tantas possibilidades oferecidas pela tecnologia, não podemos menosprezar o papel do aluno ao selecionar, ele mesmo, suas ferramentas de estudo. Ele também tem de saber escolher que ferramenta vai utilizar para cada finalidade. Ao criar seus trabalhos, precisará definir se incluirá fotos, gráficos, imagens ou programações; ao pesquisar, terá de escolher as fontes que utilizará para isso. Ao estudar, terá de decidir quanto esforço dedicará à prática e com quais recursos o fará. Também terá de descobrir a melhor maneira de se comunicar com as pessoas envolvidas em sua aprendizagem.
Não é à toa que a tecnologia promove mais autonomia entre os alunos. Com tantos recursos à disposição e com tantos objetivos a buscar, torna-se essencial saber definir o que é mais relevante em cada momento. Ao tomar decisões com consciência das suas necessidades, o aluno sempre acaba por desenvolver sua autonomia. E será que a autonomia dos alunos não é um dos objetivos mais importantes para se tentar atingir durante o processo educacional? 1 Ver Buzato (2004) e Silva (2004) a respeito de trabalho coletivo e uso de tecnologia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BUZATO, Marcelo El Khouri. As (Outras) Quatro Habilidades / The Four (Other)Skills Revista Digital de Tecnologia Educacional e Educação à Distância, v. 1, n. 1. nov. 2004. Acesso em: 29 mar. 2007.
CRADLER, J.; MCNABB, M.; FREEEMAN, M.; BURCHETT, R. How does technology influence student learning? Learning and Leading with Technology, 29(8), 47-49, 2002.
SILVA, Luís Rogério da. Formação do Conhecimento Coletivo: O Papel do Professor em Tempos de Web Arte e Copylef. Revista Digital de Tecnologia Educacional e Educação à Distância, v. 1, n. 1. nov. 2004. Acesso em: 29 mar. 2007.
SCHACTER, J. (1999). The impact of education technology on student achievement: What the most current research has to say. Milken Exchange on Education Technology, 1999. Acesso em: 29 mar. 2007.
sábado, 4 de abril de 2009
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